O SHABAT NO "NOVO TESTAMENTO"
Texto elaborado a pedido do caro participante e seguidor do Blog, Samuel Alves, desde já peço desculpas por ser o texto não tão aprofundado como eu gostaria que fosse mas será útil para melhor entender o Shabat seja no "Antigo" ou no "Novo Testamento"
Os que insistem em pregar que o Shabat passou, e que os cristãos estão hoje desobrigados de sua observância, afirmam apoiarem-se nos ensinamentos de Yeshua ou dos apóstolos para justificarem tal mudança na Lei ou até mesmo a sua extinção. Mas Yeshua realmente ensinou que o Shabat não mais deveria ser guardado? Ele aboliu este mandamento, e colocou o domingo em seu lugar, como o dia de adoração para os cristãos?
Vejamos o que diz as Santas Escrituras, pois o Shabat aparece mais de 60 vezes no (“Novo Testamento”).
Vamos analisar agora as passagens que tratam sobre o Shabat:
a) Mt 12:1-14 (cf. Mc 2:23-3:6; Lc 6:1-11)
Nesta passagem Yeshua é interrogado por estar colhendo espigas no Shabat´, sendo que tal pratica não é roubo se feita a coleta com as mãos e não com foice para se alimentar de imediato conforme prescrito na Torah em Levítico 19:9, 23:22 e Deut. 23:25, 24:19.
Os P’rushim (Fariseus) condenam esta ação não levando em conta a liberalidades da Torah e nem a necessidade de preservação da vida quando Yeshua e seus Talmidim (discípulos) precisaram se alimentar, pois tais P’rushim haviam sobrecarregado o Shabat com inúmeras “mini-leis” ou como se diz no judaísmo “leis de cerca” ou “Syag L‘Torah”, que deveriam auxiliar a observância desse dia sem perigo de transgressão de maneira a ter que ser aplicada a pena capital (Nm. 15:32-36).
Diante da situação Yeshua, então, responde com a famosa frase: “O Filho do Homem é Senhor do Shabat”, aqui se é necessário verter a frase para o hebraico para se entender o que Yeshua quis dizer: “Ha Ben-Adam Adon Le Shabat” o termo Ben-Adam pode ser entendido como filho do homem ou apenas como Ser Humano, este é o mais comum, e tal interpretação é fácil de se compreender com o uso paralelo do texto de Marcos 2:27-28 que diz que o Shabat foi feito para o homem e não o homem para ser escravizado por regras adicionadas pelo próprio homem acerca do Shabat, sendo assim o homem (Ben-Adam = Ser Humano) que é senhor do Shabat, mas não para corrompe-lo e aboli-lo mas sim para usá-lo de maneira a benefício da vida e não em detrimento da vida,
entenda-se isso como se você for morrer por causa de uma proibição legal você tem obrigação de manter a sua vida e violar a proibição, mas se você for morrer e a proibição a ter que ser cumprida pode lhe causar morte espiritual se violada, você tem que escolher a morte física para não obter a morte espiritual que é eterna, assim como os amigos de Daniel e o próprio Daniel na corte babilônica escolheram ir para fornalha e a cova dos leões respectivamente por não violar o mandamento de adorar a outro que não fosse o D-us de Israel, e vemos que Yeshua usa o dia de Shabat para fazer o bem e curar os oprimidos, sendo que tal atitude não é proibida nem na Torah Escrita (Pentateuco) e nem na Torah Oral ( Mishná + Guemará = Talmude) e pelo contrario há uma seção inteira sobre a necessidade de se preservar a vida e trazer cura mesmo que isso se de no Shabat, sendo que a vida é mais importante que o Shabat, mas para tais procedimentos é necessário haver parâmetros que devem ser reconhecidos e respeitados pela sociedade e isso que acontecia nos Tempo de Yeshua com o diferencial de haver alguns dos P’rushim (Fariseus) que eram exageradamente legalistas e se importavam mais com a letra da Lei do que a Essência da Lei e era a este grupo que Yeshua se referenciava como sendo hipócritas.
Outro fato é o papel de Yeshua como sendo a Palavra de D-us pronunciada em Gênesis 2:3 onde há a Santificação e Benção sobre o Shabat, sendo que Ele é a pronuncia de tal mandamento ele também poderia ter a autoridade de mudar o mandamento, mas isso feriria toda a interpretação Bíblica que assegura que tanto D-us e a sua Palavra são imutáveis e não ficam variando sobre o que já foi determinado como se o Nosso D-us fosse homem ou filho do Homem para que se arrependa de alguma coisa (Nm. 23:19), sendo assim tal declaração de Yeshua ser o Senhor do Shabat não dá nenhuma margem para que o Shabat fosse abolido ou minimizado; apenas demonstra que Yeshua possui uma autoridade superior àquela que os P’rushim (fariseus) estavam dando a Ele, ou seja, para os P’rushim (fariseus) Yeshua não passava de um impostor, mas o Mestre demonstrou o erro dos “doutores”, ao declarar que o Shabat era um dia santifica e abençoado por Ele como sendo a Palavra de D-us, por isso, Ele tinha autoridade para melhor explicar a essência do Shabat e quais as sua implicações e graus de comparabilidade entre os demais mandamentos.
Em seguida, surge a situação da cura do homem da mão ressequida. Yeshua já sabia muito bem que os P’rushim (fariseus) não concordariam com uma cura realizada no Shabat, mas o Senhor pela capacitação da Ruach HaKodesh conhecia o coração hipócrita desses líderes, que estavam dispostos a sacrificar uma vida humana em defesa da Literalidade da Lei e não de sua Essência mas não achavam errado socorrer um animal ferido no Shabat, quando isso pudesse trazer algum retorno financeiro para eles.
Revemos aqui que em Marcos (2:27) Yeshua declara que o “sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado”. Isto é perfeitamente compreensível e verdadeiro, pois tudo neste mundo (natureza, animais, igreja, família, sexo, salvação, Shabat, perdão, etc.) foi criado por D-us para benefício da Sua mais importante criatura – o Homem. Tudo foi feito “por causa”, ou seja, em benefício do Homem. Dizer que nesta declaração Yeshua está afirmando que não precisamos obedecer o mandamento do Shabat é, no mínimo, um desprezo às mais elementares regras de interpretação de texto.
b) Mt 24:20
Esta é uma passagem que demonstra a verdadeira noção de importância que Yeshua dava ao dia de descanso. Nesta profecia, o Senhor declara que a fuga dos discípulos nos períodos de tribulação não deveria ocorrer no Shabat, pois isto certamente os encontraria desprevenidos por estarem envolvidos na preparação e santidade deste dia. Yeshua foi tão preciso em Sua profecia, que o exército romano entrou e destruiu Jerusalém no ano 70 d.C., ou seja, aproximadamente 40 anos após Yeshua ter feito a declaração de Mt 24:40. Que importante e inquestionável testemunho da validade que o Shabat tem na vida de adoração do crente, mesmo após a ressurreição do Salvador. Yeshua desejava que o Shabat permanecesse como dia de adoração, mesmo após Sua morte e ressurreição, como fica evidente pela leitura desta passagem. Este é um dos muitos versos que os inimigos do Shabat nem mencionam, pois não conseguem explicá-lo sem distorcer o real sentido da passagem.
c) Mt 28:1-10 (cf. Mc 16:1-11; Lc 24:1-12; João 20:1-10)
Este texto trata da ocasião em que Yeshua foi crucificado e ficou durante o Shabat na sepultura. Novamente, em nenhum momento há qualquer menção sobre a abolição do Shabat para os cristãos. Há o relato histórico de que foi num dia da preparação para o Shabat – Mc 15:42 que Yeshua foi crucificado, permanecendo durante todo este dia na sepultura, e ressuscitando apenas ao por do sol do Shabat.
d) Lc 4:16
Que texto maravilhoso! Uma declaração absolutamente clara de que era “costume”, ou seja, era um hábito normal de Yeshua estar na sinagoga (a congregação da época) no dia de Shabat. Ele, como Mantenedor de tudo como sendo a Palavra de D-us, não poderia deixar de lado algo que Ele mesmo ao ser pronunciado criou, santificou, abençoou e deixou como exemplo para toda a humanidade. Este é outro texto que os inimigos do Shabat não conseguem argumentar contra, sem distorcer o que a Bíblia está ensinando.
e) Lc 13:10-14:6 (cf. João 5:9-9:16)
Novamente Yeshua é interrogado sobre a legalidade de se realizarem curas no Shabat. É evidente que não se pode usar o Shabat como desculpa para não operar o bem ao próximo. Os P’rushim (fariseus), porém, atolados em sua hipocrisia e ganância, preferiam “fechar os olhos” para algo tão claro, revelado no amor de D-us. O texto é muito claro em dizer que os P’rushim (fariseus) “nada puderam responder” à Yeshua (cf. Lc 14:6).
f) Lc 23:56
Outro verso para o qual os inimigos do Shabat não conseguem dar uma explicação eficaz e verdadeira, sem distorcer o texto bíblico. Se Yeshua REALMENTE havia ensinado ou insinuado que o Shabar era desnecessário na nova aliança, e que o “tempo da graça” havia chegado, por que estas mulheres continuaram guardando-o? Não havia chegado a hora de coloca este “jugo” de lado, como o dizem muitos hoje?
Estas santas mulheres, que permanecerem ao lado de Yeshua durante Seu ministério terrestre; que ouviram os ensinamentos divinos dos lábios do próprio Senhor; que sabiam das respostas que Yeshua havia dado aos P’rushim (fariseus) acerca do tema do Shabat, como vimos anteriormente; que presenciaram a crucifixão do Seu Mestre; estas mulheres não abandonaram o mandamento do Shabat quando Yeshua morreu, e muito menos adoraram no domingo, como fazem os pseudo seguidores de Yeshua da atualidade. Elas permaneceram fiéis à Lei do Senhor, e “descansaram segundo o mandamento” (cf. Êx 20:8-11). Mais claro que isso é impossível...
Os inimigos do Shabat sempre citam a passagem de João 20:19 para apoiarem sua teoria de que os discípulos trocaram o Shabat pelo domingo, após a ressurreição do Mashiach. Basta uma leitura sincera do texto para ver que o motivo que levou os seguidores de Yeshua a estarem reunidos naquele dia era o “medo dos da Judéia”. Não estavam ali fazendo uma missa ou culto de adoração, mas estavam era se escondendo da perseguição que já estava sendo iniciada.
É muito fácil distorcer o texto bíblico para favorecer um pensamento pessoal de um indivíduo ou denominação. Mas o Espírito Santo ajuda àqueles que, sinceramente, buscam descobrir a verdade acerca do viver que agrada ao Senhor. Não encontramos em nenhum lugar da Bíblia a palavra “domingo”, nem qualquer menção à mudança do sétimo para o primeiro dia da semana, nem por Yeshua, nem pelos Seus apóstolos.
O Shabat no Livro de Atos
Este livro é muito esclarecedor porque nos mostra um resumo de como era a vida na Igreja que estava iniciando seus primeiros passos. Certamente é no livro de Atos que poderemos encontrar alguma base de autoridade para a rejeição atual do Shabat, se é que existe tal base.
Atos 1:12 – Esta é a primeira menção ao Shabat no livro de Atos, apenas fazendo referência ao costume de andar uma curta distância durante este dia (aproximadamente 1 Km), nota-se que Lucas mesmo ao se tornar um seguidor de Yeshua a mais de vinte anos, que a data posterior do livro de Atos ele ainda se utiliza de argumentação tradicional judaica, nota-se que ele é um prosélito sendo que não precisaria se utilizar de certas terminologia judaicas mas mesmo a despeito de ser um gentio convertido e seguidor de Yeshua ele não se faz de estranho a cultura judaica.
13:14 – Os discípulos procuram uma sinagoga para pregar. São acolhidos com atenção e aproveitam para pregar sobre Yeshua (vv. 16-41), acrescentando que em todos os Shabat são lidos os ensinamentos de D-us nas sinagogas (v. 27), aqui vemos a antiguidade da liturgia de se estudar uma Parashá (Porção da Torah) e uma Haftará (Porção dos Profetas) todos os Shabatot.
13:42 – Os discípulos receberam o convite tanto de gentios como dos judeus (v. 43) para retornarem no próximo Shabat, e continuarem a maravilhosa pregação sobre Yeshua.
13:44 – Quase toda a cidade veio no Shabat seguinte para ouvir o que os discípulos tinham ainda para falar. Percebemos que não eram todos judeus, pois estes estavam tentando desfazer a pregação dos discípulos diante da multidão (v. 45). Vemos que a Sinagoga era o reduto daqueles que temiam a D-us entre os gentios por isso a pregação ao Shabat nas Sinagogas se tornou importantíssimo para a disseminação maciça do evangelho entre as nações, imagine se não houvesse um dia especifica de reunião para a adoração ao verdadeiro D-us, onde tais gentios tementes a D-us receberiam a mensagem restauradora de suas almas, com certeza que não seria num templo pagão, ao menos não neste inicio tão conturbado de perseguição.
15:12-21 – Esta é uma passagem reveladora, pois foram determinadas algumas coisas que não mais poderiam ser impostas sobre os gentios conversos ao cristianismo. Pergunta-se: Por que os apóstolos não incluíram o Shabat entre os temas proibidos???? Não dizem hoje que eles trocaram o Shabat pelo domingo, logo após a ressurreição???? Fica evidente que os inimigos do Shabat hoje em dia estão mais interessados em tradições humanas, do que seguir os princípios que os discípulos de Yeshua demonstravam em sua própria vida.
O verso 21 em especial mostra que as quatro proibições eram apenas iniciais e deviam ser respeitadas mesmo sem entendimento prévio dos que se achegavam a fé em Yeshua como o Mashiach, mas o entendimento das demais leis e mandamentos seria explicado gradativamente aos novos fieis a cada Shabat nas Sinagogas que desde de muito tempo sempre teve alguém disposto para ensinar a Lei e os profetas.
16:11-15 – Alguns dizem que os discípulos pregavam no Shabat apenas para aproveitar as sinagogas judaicas. Mas a passagem em questão revela claramente que não era este o real motivo. Paulo, como você sabe, foi um apóstolo que não conviveu pessoalmente com Yeshua, tendo sido convertido alguns anos após a ressurreição do Mestre. Paulo é encontrado aqui neste texto procurando “um lugar de oração”, no Shabat, afastado da cidade. Por que??????????? Será que o Espírito Santo não havia orientado o apóstolo a abandonar os “rudimentos” do judaísmo, como dizem os inimigos do Shabat? Fica muito claro para o leitor sincero que Paulo, um dos maiores apóstolos de Yeshua, nunca ensinou a abolição do Shabat, e ele mesmo vivia a santidade deste dia especial por onde quer que andasse.
17:1-3 – Novamente, Paulo é visto aproveitando o Shabat para pregar a salvação em Yeshua àquelas cidades.
18:1-4 – O apóstolo da graça e dos gentios tinha uma profissão – fazer tendas, o texto é claro ao dizer que Paulo ia à Sinagoga nos Shabatot, como fica evidente pelo texto bíblico, ele se dirigia ao local de adoração para pregar sobre a salvação em Yeshua. Percebe-se facilmente (basta ler sem preconceitos) que não era apenas para encontrar os judeus que Paulo ia à Sinagoga no Shabat, pois o próprio texto afirma que ele pregava também aos gregos neste dia, e bem sabemos que os gregos não santificavam o Shabat.
19:17-27 – Nesta passagem, Paulo afirma enfaticamente que estava de consciência limpa porque ensinara TUDO que era importante para os gentios viverem uma vida de verdadeiros princípios bíblicos, bem como mostrara para eles TODO o desígnio de Deus para suas vidas. Mas em NENHUM momento ele fala para eles abandonarem o Shabat e adorarem o Senhor no domingo. Que interessante! O Shabat em Apocalipse
Apocalipse 1:10 não tem referência ao Shabat mas em grego não tem segredo como segue: ἐγενόμην ἐνπνεύματι ἐν τῇ κυριακῇ ἡμέρᾳ καὶ ἤκουσα ὀπίσω μου φωνὴν μεγάλην ὡς σάλπιγγος “egenomēn en pneumati en tē kuriakē ēmera kai ēkousa opisō mou phōnēn megalēn ōs salpingos” - “Fui levado em espírito ao dia do SENHOR, e ouvi detrás de mim voz grandiosa, como de um Shofar (Trombeta)”.
O problema corrente da má interpretação se deve a locução “en tē kuriakē ēmera”, que quer dizer “no dia do Senhor” ou “ao dia do Senhor”, sendo que a contextualização é o melhor caminho para se decidir se Yochanan (João) está falando que ele foi levado num dia semanal ou à um determinado dia que profeticamente é chamado de o “DIA DO SENHOR”.
Eu como judeu poderia ser tendencioso e dizer que Yochanan está falando do Shabat pois em toda a Bíblia o único dia semanal chamado de Dia do Senhor é o Shabat, tanto que Yeshua disse que ele mesmo é o Senhor do Shabat e não do domingo, mas sejamos sinceros, será que Yochanan em meio ao exílio na Ilha de Patmos iria dar um dado tão supérfluo de que dia da semana ele estaria tento a visão? Acho que o intuído dele era mais profundo; o intuído dele ao meu ver segundo o contexto, foi de dizer que ele foi levado em espírito á vislumbrar o “Grande e Terrível Dia do SENHOR” que segundo inúmeras passagens proféticas se refere ao dia que o SENHOR começará o julgamento da Terra antes mesmo do arrebatamento e da Implantação do Reino Messiânico por Yeshua.
Vemos no contexto, diversos elementos que profeticamente estão ligados ao “Grande e Terrível Dia do SENHOR”, como a menção do shofar, a descrição do Filho do Homem como em sua forma Final e Eterna com roupas de Realeza e etc....
E por tudo o que Yochanan relata nesse Livro podemos ver que tudo faz referência ao que antes fora profetizado pelos santos Profetas do Senhor e intrinsecamente ligado ao derradeiro “Grande e Terrível Dia do SENHOR” conforme podemos comprovar pelas seguintes passagens que citam o dia de julgamento pela alcunha de “O DIA DO SENHOR” : Ez. 7:19; 13:5, Jl. 1:15; 2:1,11,31; 3:15, Am. 5:18,20; 8:9, Ob. 1:15, Sf. 1:7, 14-18, Zc. 14:1 e Ml. 4:5 e mesmo no “Novo Testamento” tem referências a este dia como em Atos 2:20, I Cor. 5:5, I Tes. 5:2-4, II Tes. 2:2 e II Pe. 2:10.
14:6-7 – Interessante notar que a mensagem que o 1º anjo recebeu para levar a todo o mundo era uma exortação para adorarem a D-us como “Criador” de todas as coisas. O mais curioso é que o único mandamento que revela o motivo pelo qual o Senhor deve ser adorado é o 4º - o do Shabat (cf. Gên. 2:1-3; Êx 20:8-11), e praticamente a mesma seqüência de palavras é utilizada em ambas as passagens (cf. Êx 20:11; Ap 14:7), ou seja, devemos adorar Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e tudo o mais. Coincidência? Não. A Bíblia é um livro de “providências”.
Os santos de D-us, no Apocalipse, são retratados como sendo aqueles que “guardam os mandamentos de D-us” (cf. 12:17; 14:12; Sal. 119:152). E a Bíblia considera a guarda dos mandamentos como sendo válida SOMENTE quando TODOS os mandamentos são obedecidos, inclusive o 4º (cf. Tg 2:10-11).
Como pudemos ver no texto bíblico, não há uma única palavra autorizando a abolição do Shabat, pelo contrário, vemos que TODOS os discípulos de Yeshua continuaram guardando este dia, mesmo muitos anos após a Sua morte, como foi o caso de Paulo, por exemplo.
Há algumas passagens que tratam do primeiro dia da semana. Mas, será que elas autorizam alguma mudança? Vejamos...
a) “No findar do Shabat, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro” (Mt 28:1). O verso apenas diz que elas foram ao sepulcro no primeiro dia da semana, após o Shabat, pois elas haviam descansado no Shabat em obediência ao mandamento (cf. Lc 23:54-56). O verso nada fala sobre a santidade do domingo após a ressurreição de Yeshua.
Outro ponto sobre isso é que o primeiro dia da semana naquelas época não era à meia noite do sétimo dia mas sim após o por do sol do sétimo dia, sendo assim Yeshua ressuscitou para celebrar a Havdalá ao fim do Shabat (Mt. 28:1 e Lc. 24:1) e não no domingo posteriormente instituído, pois até então o nome do dia era primeiro dia (Yom Rishon).
b) “E, muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram ao túmulo” (Mc 16:2). Outro verso que apenas faz o relato de que as mulheres foram ao sepulcro no primeiro dia da semana, e apresenta que só foram neste horário porque o Shabat já havia passado (cf. Mc 16:1). Nada fala sobre a santidade do domingo, e ainda confirma que elas guardavam o Shabat do Senhor. (Obs. Tal trecho não existe em manuscritos mais antigos, fazendo com que haja desconfiança em sua originalidade, pois “ao despontar do sol” é muito diferente de “ao findar o Shabat”)
c) “Havendo ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete demônios” (Mc 16:9). Apenas mais um relato sobre o momento histórico no qual Jesus ressuscitou. Mais uma vez, nada é apresentado sobre a pseudo-santidade do domingo como dia da ressurreição de Yeshua. (Obs. Este trecho também não existe em manuscritos mais antigos, fazendo com que haja desconfiança em sua originalidade)
d) “Mas, no primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao túmulo, levando os aromas que haviam preparado” (Lc 24:1). Como o último verso do cap. 23 deixa claro que aquelas mulheres guardavam o Shabat, foi só passar o pôr-do-sol e elas foram ao sepulcro realizar o trabalho que havia sido deixado por fazer, para não se transgredir as horas santas do Shabat do Senhor (cf. Lc 23:54-56). Você vê algo neste verso que autorize a santidade do domingo? Nem eu... (Vemos que tal termo alta madrugada em nada se parece com o despontar do sol que existe em Marcos - Intrigante não é?)
e) “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava revolvida” (João 20:1). Apenas a repetição das passagens anteriores. Ninguém está questionando que Yeshua ressuscitou no domingo, mas dizer que por este motivo este dia agora ficou no lugar do Shabat, é acrescentar palavras que não estão no texto Bíblico.
f) “Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos da Judéia, veio Yeshua, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco” (João 20:19). O texto é muito claro em afirmar o motivo pelo qual eles estavam reunidos: o medo dos da Judéia. Não tinha nada que ver com um culto ou missa dominical. O v. 26 diz que oito dias depois portando numa Segunda-Feira e não no domingo posterior, Yeshua Se apresentou novamente para os discípulos. Yeshua encontra-os ainda escondidos dos da Judéia, com as portas trancadas, e aproveita para apresentar-Se a Tomé, que estava ainda duvidando de Sua ressurreição. Nada ainda encontramos sobre a autoridade de mudar o Shabat para o domingo. E olha que este seria um bom momento para Yeshua aproveitar e ensinar para os discípulos que o domingo agora deveria ser o dia de guarda, mas como vemos nos textos não há tal ensino.
g) “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite” (At 20:7). O motivo pelo qual os discípulos estavam reunidos neste primeiro dia da semana é revelado no próprio texto bíblico: Paulo estava para viajar no dia seguinte. Nada mais. Não era um culto semanal dominical, pois já vimos que Paulo adorava o Senhor no Shabat (cf. At 16:11-15; 18:1-4; etc.).
Outro ponto discutível é que o tal “primeiro dia” de Atos 20:7 tratava-se na realidade da celebração de Havdalá que nada mais é que o partir do pão após o por do sol do Shabat, sendo que Shaul (Paulo) se prolonga em sua prática que indica que sempre após um dia inteiro de estudo que é costume judaico que se inicia ao amanhecer e se finda ao por do sol, havia entre os seguidores de Yeshua a continuação da celebração que neste caso específico durou até a meia noite, levando Éutico a cair da janela de tão cansado por um dia inteiro de estudo e celebração, mas após Shaul o tê-lo ressuscitado subiram novamente para o cenáculo e Shaul falou até o amanhecer.
i) “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for” (1Co 16:2). Este é o ÚLTIMO dos oito únicos versos do Novo Testamento que fala sobre o primeiro dia da semana. Já vimos que as sete passagens anteriores nada falam sobre a autorização para os cristãos mudarem o sábado para o domingo. Resta agora analisar esta última passagem. Paulo está falando sobre uma ajuda que seria enviada para os irmãos da Judéia (v. 1; cf. At 11:28-30). Os irmãos não são orientados a se reunirem no primeiro dia da semana para adorarem ao Senhor. O apóstolo dá uma orientação para separarem sua contribuição “em casa”, muito provavelmente junto com as provisões semanais da própria família. Quando Paulo visitasse a cidade, as ofertas já deveriam estar todas prontas. O fato de os discípulos se reunirem em um dia específico, além do sétimo semanal, não faz de tal dia um substituto do Shabat do 4º mandamento, pois eles se reuniam diariamente (cf. At 5:42). O que torna um dia “santo” é a determinação de D-us, e isto acontece na Bíblia SOMENTE para o Shabat (cf. Gên. 2:1-3; Êx 16:1-10: 20:8-11). E outro ponto a se tecer comentário é sobre
o termo que aparece que é μίαν σαββάτου “Mian Sabbatou” indicando que o período é logo após o por do sol do Shabat, quando as pessoas fossem para suas casas após a guarda do dia sagrado e daí sim eles começariam a fazer o serviço de separação de mantimentos em suas próprias casas para serem levados por Shaul para distribuição entre os pobres, fato este que é uma repetição do que ocorre sem especificação de dia como em At. 11:29, Rm. 15:26 e Gl. 2:10; portanto vemos que nesse texto não temos nada em que se possa generalizar uma simples prática de arrecadação como uma ordenança de mudança de dia sagrado de guarda.
Analisamos as passagens do Novo Testamento que tratam do Shabat, e vimos que TODOS os discípulos e seguidores de Yeshua guardaram este dia normalmente, pois fazia parte do seu dia-a-dia. Não há nenhum cogitação entre os discípulos sobre a mudança do Shabat para outro dia qualquer. Infelizmente, tal pensamento só existe na mente dos que não querem obedecer aos mandamentos do Senhor, opondo-se arrogantemente à Palavra de D-us.
Se nossa base de fé estiver unicamente na Bíblia, e não na tradição ou mandamentos de homens (cf. Mc 7:13; At 5:29), então o único dia semanal que devemos separar para adorar ao Senhor, deixando de lado afazeres seculares e comuns, é o Shabat.
Seja fiel, e D-us abençoará grandemente sua vida; afinal Ele promete: “Grande paz têm os que amam a Tua Lei; para eles não há tropeço” (Sal. 119:165).
Por Metushelach Ben Levy se baseando em diversas fontes bibliográficas.
18 de fev. de 2012
Parashás
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Parasha é nome dado ao estudo específico da Torah. O que significa “parasha”? Parashá , Parshah ou Parashah (no pl. parashot) é o nome dado à porção semanal de textos da Torah dentro do judaísmo. A Torah é dividida em 54 parashot que servem para uma leitura completa da Torah em um ciclo de um ano. Não se trata de um estudo aleatório onde cada sinagoga ensina o que quer; em todas as sinagogas do mundo é estudada a mesma porção da Torah a cada sábado.
A PARASHÁ consiste na análise do texto bíblico e a sua conexão com os profetas, históricos, poéticos (Haftará). Esta análise é feita a partir do texto original em hebraico, destacando-se as palavras principais de cada versículo e sendo as mesmas analisadas no original. Então é feita a ligação destes termos com os demais livros da Tanach (Velho Testamento). As sinagogas, que crêem em Yeshua como o Mashiach, ampliam esta ligação adicionando o Brit Hadashá (Novo Testamento) ao seu comentário!
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7 de fev. de 2012
NOMES HEBRAICOS E SEUS SIGNIFICADOS
Até que ponto um nome pode influenciar uma vida?
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| (imagem para fins ilustrativos extraída da internet) |
Hoje em dia, muitos não têm idéia do significado de seus nomes. Alguns pais escolhem um nome para seus filhos porque gostam da maneira como soa (é bonitinho), ou porque conheceram alguém importante e desejam dar aquele nome à criança ou, ainda, juntando o nome do pai e o da mãe formando um nome único para o filho, como: Genivaldo = Geni+Osvaldo, Ivandira = Ivan+Jandira e assim por diante. Quem não conhece pelo menos uma dessas derivações, sobretudo entre os brasileiros?
Normalmente, as culturas que têm uma ligação mais forte com a identificação tribal é que tendem a dar mais importância ao significado dos nomes de seus filhos. Entre os orientais e afro-asiáticos, por exemplo, há a crença de que o nome dado a uma pessoa vai ajudar a moldar o seu caráter. Na cultura israelita o nome de um menino é dado em conjunto com sua Brit Milá (circuncisão ao 8º dia) e o da menina dentro do primeiro mês de vida. Os judeus sefaraditas da Espanha, África do Norte e América do Sul têm o costume de homenagear pessoas que admiram, colocando o nome no bebê. Já os Ashkenazitas (leste europeu) tendem a dar a seus filhos o nome de alguém que já partiu.
Muitos nomes de origem hebraica são encontrados em diversas culturas por causa da herança comum que o cristianismo, islamismo e outras religiões compartilham, através do uso das Escrituras Sagradas.
O nome de Daniel/Dani'el (דניאל) por exemplo; é bonito e forte. "Dan", em hebraico, significa "juiz", "Dani" significa "meu juiz" e "El" é um dos nomes Sagrados do Eterno. Portanto, quando as palavras são unidas, o nome de "Daniel" ganha o significado de "El é meu juiz". Outro nome muito comum extraído da Bíblia (1a. Crônica 26:7) é Rafael/Rafa'el (רָפָאֵל). A palavra "Rafah" significa "cura", que unida a "El" fica "Rapha'el" e significa "El cura".
O nome Miguel/Micha'el (מִיכָאֵל) é o nome de um "malach"/anjo nas Escrituras e tem sido utilizado em diversas culturas. "Mi" em hebraico significa "quem", "cha" significa "como" e, como dito anteriormente, "El", um dos nomes Sagrados. Juntando-se as palavras temos "Micha'el", ou seja, "Quem é como El".
Outro nome associado a um anjo/malach éGabriel/Gabri'el (גַּבְרִיאֵל). Esse nome aparece pela primeira vez no sefer/livro de Dani'el e também na Brit Chadashá, no livro de Lucas. Seu significado é "Enviado por El".A partir dos exemplos acima é possível reconhecer um padrão, ou seja, no hebraico muitos nomes fazem referência a YHWH (יה-וה), especialmente os nomes bíblicos masculinos. A fixação "El" ou "Yah" (que também é um dos nomes sagrados) é muito utilizada.
Vejamos, por exemplo, "Yechezk'el" (יְחֶזְקֵאל), nome do profeta cujo livro/sefer leva seu nome. Aqui a palavra "Yechezki" significa "Ele vai ser forte". Anexando-se "El", temos "Yechezk'el", que significa "El será forte", ou seja, "El" será forte na vida de alguém que recebe esse nome (certamente, esse foi o desejo de quem lhe deu esse nome). "Yechezk'el" anglicanizado torna-se Ezequiel.
Outra maneira de se dizer a mesma coisa é "Chezkiyahu/Ezequias" (חִזְקִיָּהוּ). Aqui a raiz para forte "Chezki" inicia o nome e é seguido pelo "Yah" e o "hu", que significa "O Eterno, Ele", o nome inteiro significa "O Eterno, Ele é a minha força" ou "a minha força é o Eterno". Um outro nome que seria sinônimo destes é Uzi'el/Uzias, que significa "El é minha força".
Mas, nem todos os nomes bíblicos estão ligados diretamente ao nome de YHWH e nem todos exaltam aspectos positivos. "Yiov"/Jó (אִיּוֹב), por exemplo, significa "oprimido". No livro de Ruth/Rute (1:1 a 6) os nomes dados aos dois filhos de Naomi/Noemi (נעמי) significam "doente" e "fraco" (Machlon e Kilyon) e vemos que, no curso da história os mesmos não sobreviveram. Poderíamos inferir, talvez, que os nomes verdadeiros tenham sido substituídos por esses adjetivos para designar o estado em que ambos se encontravam - "doente e fraco" (?!?) ou, até, especularmos se esses nomes não poderiam ter potencializado suas debilidades.
Na história do primeiro rei de Israel o povo pede ao Eterno um rei terreno e Este, atendendo, enviou-lhes "Sha'ul"/Saul (Sh'muel Alef/1 Samuel 8:1-21). O nome "Sha'ul/Saul/Paulo" significa "pedido ou emprestado". Aqui está um jogo de palavras: "a seu pedido". Esse nome pode, também, ter outra conotação. "Sha'ul" pode significar "dado por El" mas, não exatamente como um presente (mas, por ter sido pedido); o nome cujo significado está mais relacionado a "presente/dádiva" é "Yehonatan"/Jonata (יוֹנָתָן), "presente de El". Nas Escrituras, Yehonatan é o filho do rei Saul/Sha'ul e grande amigo do David. Há outras formas de se dar um nome, como por exemplo, a partir de uma característica, do nome de uma cor, uma planta, animal ou outras criaturas. "David"/Davi (דוד), literalmente, significa "amado, querido"; "Dov" (דּוֹב) significa "urso"; "Ari" (אֲרִי) significa "leão" ou "Ari'el", "Leão de El";"Devorah"/Débora/Debra (דְּבוֹרָה) significa "abelha"; "Shoshana"/Susana (שׁוֹשַׁנָּה), que significa "lírio".
Existem também nomes que podem conter duplo significado.Um exemplo é o nome "Maryam/Maria" que pode significar tanto "amarga" como "louvada/elevada", obviamente, a intenção é sempre buscar o significado positivo. Há também o conceito do nome soar como alguma outra coisa.
A exemplo disto temos novamente o nome do rei "Sha'ul", que significa "pedido ou emprestado" e que, se mal pronunciado, pode soar como "sheol"/seol, cuja grafia no hebraico (sem as nekudot) é exatamente a mesma, pois não há vogais. "Sheol"/Seol, em hebraico, significa "poço/buraco" ou "inferno", o que não é uma boa associação. A grafia do nome "Sha'ul" também pode ser assemelhada a "Shu'al", que é a palavra para "raposa". Fazendo um trocadilho, Sha'ul precisa ser como uma "raposa" fora do "poço do inferno". Outra conjectura; terá esse dualismo influenciado nas lutas espirituais experimentadas por Sha'ul haShaliach (Paulo o Emissário/apóstolo)?!Certamente, a beleza ou profundidade de um nome não está limitada apenas a uma concepção hebraica; algumas culturas, como mencionado, têm essa preocupação - a dar a seus filhos nomes que sejam expressivos e pelos quais possam ser representados.
O que não podemos nos esquecer é que um nome hebraico, em sua essência, vem sempre carregado de simbologia e que cada uma das 22 letras do alef beit/alfabeto tem um significado especial e uma peculiaridade expressa em cada nome na Bíblia; é só buscarmos nas Escrituras os inúmeros exemplos (Bereshit/Gênesis 17:15; 35:18; Yeshaiyahu/Isaias 7:14, Sh'muel Alef/1 Samuel 1:20, etc ).
- Em que circunstância os nomes hebraicos podem ser dados:
Normalmente, um nome passa a ser adotado nas seguintes circunstâncias:
- Ao nascer, por escolha dos pais.
- Por ocasião de uma enfermidade grave (na cultura judaica); ou circunstâncias extremas, ex.: Benoni para Benyamim (Bereshit/ênesis 35:18).
- Na teshuvah (retorno à fé Bíblica), substituindo os nomes pagãos ou aqueles cujos significados depreciam ou limitam nosso potencial. Geralmente, se um nome foi transliterado da Bíblia, busca-se o original em hebraico. Ex.: João passa a ser"Yochanan"; Tiago "Ya'akov"; Mateus "Matitiyahu'; Jonas "Yonah"; Isaias "Yeshaiyahu"; Samuel "Sh'muel"; Judite "Yehudit" (יהודית); Abigail "Av'gayil" (אֲבִיגַיִל); Ana "Chanah/Hannah" (חנה); Isabel "Elisheva" (אֱלִישֶׁבַע); Eva "Chavah/Havah" (חוה) e etc.
Podemos dizer que o maior problema pelo enfrentado pelos dispersos da Casa de Israel não foi somente a assimilação, mas a ignorância. Embora muita coisa ainda persista, aqueles que têm procurado retornar à fé Bíblica (cumprimento das Mitzvot) tem buscado também restaurar alguns princípios, entre os quais, resgatar seu nome hebraico ou, através dos significados dos nomes hebraicos, fortalecer traços de sua personalidade ou caráter.
Minha avó, por exemplo, se preocupou em me dar não só um nome Bíblico, mas dois. Todavia, a dualidade de um e o significado outro lamentavelmente tornou-o "pagão" ("Hoshia'anah Miriyam"/salva-nos Maria).
Vi na Teshuvah uma oportunidade para adotar um novo nomede "Ya'el"/Jael (יהל) (Shoftim/Juízes 5:24). "Yahel"/Ya'el/Jael, que significa "HaShem é El". Ya'el foi uma cananita (mulher de Heber) que no período dos juízes de Israel (num momento de traições e revoltas), juntamente com Devorah (Débora) desbaratou o exército inimigo (Shoftim/Juízes 5:23 a 27). É um nome tanto feminino quanto masculino e, dependendo da grafia - pode ganhar outro significado: "cabra da montanha". Apesar dessa dualidade, nesse tempo de teshuvah, busquei, através desse nome a força e a graça dada por YHWH àquela heroína bíblica diante das batalhas.
- Equívocos ao se buscar um nome Bíblico
Só porque um nome é encontrado na Bíblia não significa automaticamente que é de origem hebraica. Alguns, apesar de transliterados para o hebraico, podem ter origem pagã ou estrangeira (egípcia, babilônica, persa, grega e etc). Alguns exemplos disso são Sadraque, Mesaque e Abednego (nomes babilônicos dados a hebreus Ananias, Misael e Asarias no cativeiro ); Lucas, Filipe, Estevão, Eunice, Lídia (nomes gregos) de pessoas que se achegaram à fé em Yeshua e são mencionados na Bíblia; Assenat (Egípcio); Yitro (cananita) Yitro, também conhecido como Reu'el (רְעוּאֵל) do hebraico "amigo de El", e outros.
Além disso, os nomes traduzidos nas Bíblias modernas não somente foram transliterados, como anglicanizados para se adaptarem ao idioma de cada país (Ex.Kefah/Pedro/Peter/Pierre; Miriyam/Maria/Mary/Marrie;Yochanan/João/John/Jean) e não basta transliterá-los para o hebraico, precisamos descobrir sua grafia original para que a essência não se perca.
- Outro grande equívoco:- os nomes em iídiche
O iídche é um dialeto indueuropeu, pertencente ao subgrupo germânico, adotado por judeus, particularmente da Europa Central e Oriental no segundo milênio, que o escrevem em caracteres hebraicos. Íidiche não é hebraico! O fato de transliterarmos um nome ou palavra para o hebraico, não torna esse nome ou palavra hebraica, apenas, a deixa "transliterada". Vejamos como exemplo uma palavra moderna, introduzida no idioma hebraico: Telefone = טלפון = (tet, lamed, fei, nun sofit).
- Escolhendo o nome hebraico
Como vimos, não basta apenas escolher um nome bonito, entendemos que conhecer o seu significado é fundamental, pois, o nome pelo qual uma pessoa é chamada é "um título" e pressupõe representar a sua "essência"; refletir seus traços particulares de caráter e os dons concedidos pelo Eterno.
A escolha do nome é, portanto, algo muito especial e deve ser bem pensada para que, no futuro, não traga constrangimentos na vida social.
O site abaixo traz a origem e o significado de alguns nomes hebraicos e bíblicos e talvez possa servir de base de pesquisa para quem tem buscado um nome que o represente em sua teshuvah.
(nota): (A adoção de um nome israelita é um privilégio, muito mais do que uma necessidade. Em nosso meio, nunca forçamos ninguém a tal prática, e na realidade a maioria das pessoas é desejosa de fazer essa mudança. Alguns, inclusive, têm seu nome israelita como sua verdadeira identidade, muito mais do que o nome secular.
Shavuah Tóv!
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